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DEUS NA SOCIEDADE PLURAL

Estamos num período de formação, na Escola Diaconal São João Paulo II, primeiro semestre do ano de 2016, nosso professor Geraldo Evangelista de Araújo nos propôs o desafio de realizar uma primeira produção teológica. O tema escolhido foi “Deus na Sociedade Plural”, como compreender a realidade de Deus numa sociedade plural e que busca novas experiências fora das religiões tradicionais. Como estudantes de teologia, também é necessário que lancemos um olhar crítico sobre tais experiências religiosas e se de fato levam verdadeiramente a uma experiência de Deus.

Tivemos como base os textos, organizado por Pedro A. Ribeiro de Oliveira e Geraldo De Mori, no livro “Deus na Sociedade Plural”, uma produção teológica preparada para o 26º congresso Internacional da SOTER (Sociedade de Teologia e Ciência da Religião), em julho de 2013. O qual norteou nossas análises da conjetura e discussões sobre a problemática de Deus nas diversas realidades plurais da sociedade moderna.

Partimos do pressuposto que nem toda experiência religiosa que é oferecida nessa sociedade plural é de fato uma experiência de Deus. Podemos afirmar que uma experiência plena e verdadeira de Deus é uma experiência de desinteresseira intimidade, de encontro, de provocação e de partilha de amor. Ao contrário aquela experiência religiosa que “coisifica” Deus e o coloca a mercê de nossas necessidades individuais e egocêntricas, dentre outras coisas que não podemos apontar aqui, não é uma verdadeira experiência de Deus.

Na sociedade pós-moderna encontrar Deus como presença e sentido exige de nós uma abertura para novos espaços não confessionais e não tradicionais. No livro supra citado os autores apontam para quatro espaços não tradicionais de Deus na atualidade, a saber, o espaço interior, o espaço ético, o espaço interelacional e o espaço estético.

  • O espaço interior revela-se como o lugar do coração, o lugar da intimidade, o lugar da busca e diálogo com um Deus que se comunica. Revela-se também como espaço de gratuidade, desejo e não imposição. Uma saudade de Deus que nos leva ao despojamento e ao esvaziamento, como bem lembrado por São Paulo em Filipenses 2,6-11, ou seja, a “Kénosis”.
  • O espaço ético manifesta o nosso desejo de encontrar Deus como fundamento da nossa história pessoal. É também a presença de Deus na alteridade e na opção pelo pobre.
  • No espaço interelacional encontramos Deus como vínculo, como pertencimento e como relação. Um Deus que nos leva ao encontro do outro, numa atitude de amor e de perdão.
  • No espaço estético Deus se manifesta também como luz e como brilho, revelando o seu rosto atraente de verdade e de bondade. Deus é lindo! E quando nos assemelhamos a ele, nossa vida reflete a sua luminosidade e lampeja a harmonia que vem do coração de Deus. Nossos espaços litúrgicos devem retratar a harmonia e a beleza que vem de Deus.

Outra questão tratada em nossas reflexões, à luz de uma visão crítica dos novos espaços de Deus na sociedade plural foi o surgimento de novas formas de idolatrias, o lugar onde Deus não quer estar e o lugar onde a experiência religiosa não é uma verdadeira experiência de Deus. Temos assim o falso deus ético, o falso deus filosófico e o falso deus teológico.

  • Falso deus ético: Quem coloca Deus a serviço de suas ambições pessoais ou políticas, um Deus colocado numa posição confortável para o agente de produção religiosa, que se enriquece a custa da fé dos pobres ignorantes criam um falso deus ético. Não precisamos ir muito longe para perceber a presença desse falso deus ético em nossas próprias comunidades.
  • Falso deus filosófico: Podemos gerar também um falso deus filosófico, um deus criado a imagem e semelhança de nossa razão, onde não há o amor e não há a paixão. O deus dos filósofos é um deus teísta, um deus criador e arquiteto do universo, longe e distante, que não se encarna no mundo e não se comunica com a humanidade.
  • Falso deus teológico: Revela-se como um deus que se faz à medida de nossas satisfações imediatas, do nosso subjetivismo ou de nossas carências. Um deus “coisificado”, um deus dominador e um deus que gera medo e estranheza.

Diante de todos elementos levantados, ainda de maneira passageira e superficial, nos sentimos provocados e desafiados.     Como membros de uma comunidade cristã católica, o nosso Santo Padre, Papa Francisco, nos pede coragem e despojamento. Não somos mais uma Igreja centro do mundo, auto-referencial, que se compraz de sua santidade. Somos uma igreja chamada a ir de encontro à periferia do mundo, periferias geográficas e periferias existenciais.

Lembrando o motivo de nosso pequeno trabalho inicial, há que se pensar em relacionar-se e dialogar de uma maneira empática, sem negar quem somos, nosso referencial, nossa identidade e, ao mesmo tempo, com caridade, respeitando a particularidade de fé de cada individuo, fé ou religião.

Enfatizamos, ainda, que nós enquanto Igreja, precisamos aprender a simplicidade de Jesus, o respeito à pessoa e suas dores, pois é notório que a sociedade contemporânea busca a Deus, busca o transcendente de forma sincera. Isso se dá, por vezes, até de forma egoística e equivocada, numa busca em saciar as próprias necessidades, anseios e sonhos. Vemos que a sociedade plural não se limita a opção de um contexto religioso ou a institucionalidade da fé ou doutrina. O ser humano enxerga que pode alimentar a sua fé de forma autônoma ou quebrando paradigmas que antes eram referências absolutas para se encontrar a Deus.

Na sociedade atual temos outras linguagens, símbolos e narrativas de Deus que são estranhas a nossa tradição cristã católica e isso desperta em nós uma necessidade de desinstalar para tentar começar a entender essa realidade de Deus na sociedade plural. Temos muitas indagações e poucas respostas para a grande questão de um Deus que nos causa espanto ao se revelar de forma tão pródiga e intensa na modernidade.

Por: Adilson Edson, Claudio Roberto, Geralda Imaculada, Gilberto Alves, José Geraldo da Silva e Welington César – Alunos da Escola Diaconal São João Paulo II

 

 

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